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Terça-feira, Novembro 17

Disfarço o inferno.
Enfeito de paraíso azul do céu.

Sábado, Junho 13

(...)


seus seios

dois
duas mãos cheias

sua barriga

toda

minha boca cheia
de gosto

molhada

lambendo

seu gosto

minha língua

no seu umbigo

subindo



(...)



barriga sua

minha

subindo nela

com as mãos

minhas

testando

você

descobrindo
você

mais um lugar
no coração

peito

colo

pescoço



(...)



inteira

você



(...)



descobre

a nuca

agarra

com a mão
molhada

cabelo
molhado

suor

arrepio

língua

sabor seu
em mim
língua de novo
de novo



(...)



mordida
de beijo
mordidas

orelha

pescoço

queixo

um beijo

dois

três

multiplica

soma

você

mais

eu



(...)



no beijo

embaixo

as coxas

trançando

transando

transe

virilha

vulva

minha

sua



(...)



sua

na minha

mais

e

mais
em mim
você



(...)



minha língua

você

abre

contrai

levanta

forte

devagar

geme

mais

clitóris

gostoso

gosto

seu



(...)



eu

encher a mão

na coxa

apertar
devagar
forte

a bunda

pra cima

cintura

traz

pra perto

de mim

você

molhando

eu

molhando

você

sem ar

respira

meu ar

todo lugar

seu cheiro

respira

suspira

geme

sussurra

grita

eu



(...)



você

você

você

toda

tudo

você

você

você



(...)



eu
em
você

você

em

eu

você

ama

eu

eu

ama

você



(...)



sem fim

fim

Quarta-feira, Junho 3

Tragar a vida num papel..

Sexta-feira, Maio 29

Feliz Maria

Maria, menina que a pátria pariu em dia de meia na janela e família reunida, faz aniversário. É Natal de novo, 20 anos e horário de pico para enfrentar numa sexta-feira. Olha no relógio, perderá a novela e seu pai já estará fora de casa quando chegar para receber os parabéns. Mas o problema é perder a cena do beijo e a música de abertura, porque o pai sempre deixa o perfume em cima da cama.
No ônibus, de pé, de cabelos presos e de tinta vermelha escorrendo pela nuca, seu suor se mistura com a sujeira da cidade, que agora é a sujeira de suas mãos pequenas, que se esconde debaixo de suas unhas também tingidas. Com a barriga que salta saliente , Maria – assim como os outros – tenta aumentar seu espaço e respirar algo que não se pareça com cheiro de gente, ou de ônibus.
Com isso, levanta o pescoço e resolve forçar os olhos no intuito de encontrar algo que lhe diga num sorriso que hoje é dia de ser feliz. Vê golfinhos. Três deles no pescoço de uma menina. No balanço do ônibus, se confunde, não sabe se quer tê-los em si ou para si. Nas pontas dos pés, inclina o corpo e olha como quem quer tirar uma foto e guardar na carteira. E minuto depois, olha como se quisesse guardá-la no coração.
Pede licença, empurra um e outro e chega mais perto. E depois mais perto ainda. Pensa duas vezes em descer no próximo ponto ou contornar os golfinhos um de cada vez. Maria sente que está tão perto de ter uma data que realmente marque um fato, que mesmo trêmula, avança com a boca entreaberta e, num segundo, sente o gosto deles. De todos eles e da menina. Os golfinhos ficam vermelhos e a menina sai chorando a água e pisando o pé de alguém. Certas comemorações são assim, mais marcantes em dias de calor.

Terça-feira, Fevereiro 10

Hoje

tomei remédio
quase morri
de dor
cabeça

Hoje

quase explodiu
vontade chorar
acabei quase rindo

Hoje

correio fechado
escrevi carta
quase

poema de amor

Hoje

filme e pipoca
quase assisti
no fim
resolvi que

Hoje

quero ficar só


Hoje

porque

Hoje

eu te amo